Anita chora do lado do caixão do corpo de
Ricardo, com sua mãe, Flávia do lado. Flávia chorava e falava:
- Eu não sei o que é que vou fazer. Como
vamos viver Anita? Seu pai que sustentava agente. E sua faculdade?
- Calma mãe. Nos vamos dar um jeito.
E de repente em meio aos familiares surge
Adalto e Aldo que se aproxima com humildade e respeito.
Adalto se aproxima e beija Anita e fala:
- Meu amor. O seu Geraldo enviou um dos seus
funcionários para dar os pesames a família.
Anita olha estranhando para o homem. E fala:
- Cadê a Abigail?
- Ela vai vir mais tarde dona Anita. A
empresa está um pouco bagunçada. Chegou uma esposa do nosso patrão que muitos
nem sabiam que existia. Tivemos que modificar a rotina da empresa, e sua irmã
como secretária pessoal do seu Geraldo, acabou ficando com o serviço mais
dificil. Mas ela virá assim que liberar.
Flávia chorando se vira para Aldo falando:
- Seu patrão não tem coração não? O pai
morto e a menina tem que ficar lá trabalhando?
- Calma dona Flávia. – Diz Adalto tentando
acalmar a sogra.
- Não é bem assim dona Flávia. O seu Geraldo
liberou ela. Mas… - Diz Aldo sem jeito.
- Nos entendemos muito bem moço. – Diz Anita
nervosa. – Nos conhecemos muito bem a Abigail. Desde que começou a trabalhar
nesse emprego…
- Está melhor assim minha filha. – Diz Flávia
se distraindo um pouco. – Estava pior antes de arrumar esse emprego.
- Como assim antes? – Pergunta Aldo curioso.
- Ela estava mechendo com algumas coisas
estranhas. – Diz Anita abraçando a mãe. Flávia continua.
- Ela estava com amizades que mechiam com
mágia negra. Essas coisas.
- A Abigail, mechendo com mágia negra? –
Pergunta assustado Aldo.
- Pensamos que esse emprego ia ser uma
benção. Mas desde que começou a trabalhar com vocês. – Diz Anita nervosa. – Que
não pensa em outra coisa. Nem vem ver mais agente.
- Quem sabe se você for falar com ela Anita.
Ela não larga esse serviço e vem. – Diz Adalto para namorada. – Sua mãe precisa
dela. – Completa ele cochichando no ouvido dela.
- Exatamente. – Diz Anita. – Eu vou. Adalto,
você fica, tenta fazer minha mãe almoçar. Eu pego um onibus e vou falar com
ela.
- Que isso? – Diz Aldo constrangido. – Eu
levo você.
Ela olha assustada para ele. E fala:
- Eu aceito moço. Que onibus uma hora dessas
é lotado.
De dentro do carro Marcelo olha para o carro
de esposa parando de frente a entrada de um condomínio. Ele suga pelo canudo,
as últimas gotas de refrigerante do copo, do lanche que ele comprou na estrada.
Seguiu a mulher até Goiânia. E o surpreendeu parando no condominio Jardins
Madri.
Rafaela desce do carro, e desce o filho
também. Ela dirigiu mais de quatro horas, mas tinha encontrado o endereço que
tinha escrito nos documentos que tinha pego com o investigador. A amante de seu
marido morava ali. Ela caminha até o segurança.
Rafaela tinha os olhos estavam chorosos ao
olhar para o segurança. Em uma mão segurava o embrulho com os dados da amante
de seu marido, e no outro a mão de seu filho. O segurança, Mário, olha para
aquela moça se encaminhando sabendo que viria problemas. Na verdade o dia
inteiro tinha tido esse pressentimento. E Mário não costuma se enganar com seus
sentimentos.
Rafaela ao se aproximar respira fundo e
fala:
- Moço, eu preciso falar com Amanda Epifania
Maldonato. Ela trabalha e mora nesse condomínio.
- Olha dona, você é alguma famíliar, ou
parente?
Rafaela abaixa o olhar com tristeza.
- Não senhor.
- Ela está lhe esperando? – Pelo olhos
baixos da moça, ele mesmo responde. – Acho que não, não é?
Rafaela levanta o olhar.
- Moço, é muito importante. Eu preciso
falar com ela.
- O sol está quente moça. Porque não pega
seu filho e vão tomar um sorvete.
Rafaela começa a deixar lágrimas caírem dos
olhos.
- Moço, por favor. Você não entende.
Marcelo de seu carro falava ao telefone
vendo a esposa.
- Você não vai acreditar aonde é que deu o
endereço da Amanda... A, você sabe?... E quando iria pensar em... desculpe...
Tá eu vou tentar acalmar ela.
Ele desliga o telefone e sai do carro e se
aproxima da entrada do condomínio também. Rafaela ao vê-lo de inicio vira a
cara envergonhada. O menino rindo fala:
- Mãe, olha o papai.
Ela se vira para ele com o rosto já inchado,
com raiva.
- O que está fazendo aqui Marcelo?
- Estranho, eu ia fazer justamente essa
pergunta para você. Mas eu sei. – Diz ele olhando para o embrulho de papel
castanho nas mãos da esposa. Rafaela olha assustada para o embrulho e o taca em
Marcelo nervosa.
- Sabe Marcelo? Você sabe? Como pode? – Diz
ela indo para cima do marido o batendo no peito com os punhos de força frágil
por causa do desespero. O menino assustado vai andando para trás e o segurança
o segura com carinho e fala:
- Ei gente. Calma. O filho de vocês.
Marcelo segura as mãos de Rafaela e olha
firme nos olhos dela:
- Não é isso que você está pensando Rafaela.
- Não é? Como não é? Ainda vai negar? Eu te
segui até seu detetive particular, sei que você estava atrás dessa vagabunda.
Você a ama tanto que não suportou um pé na bunda que ela te deu. Queria vir
atrás dela. Fala na minha cara que é mentira Marcelo! – Ela fala nervosa. Mas
logo frágil implora. – Fala para mim que eu estou enganada!
Ele abraça a mulher e ela chora no seu
ombro.
- As coisas não são assim.
Ela ainda chorando em seu ombro ela fala:
- Você falava que ia trabalhar e ia se
encontrar com ela. Como pode?
- Querida, você é a única para mim. A Amanda
era o meu trabalho.
- O que? – Diz ela horrorizada para o
marido. – Você era gigolô?
O
segurança faz uma careta assustado olhando para a cena e segurando Rafael.
- Não querida. Eu trabalho a quinze anos
com o povo que mora nesse condomínio. No inicio era para Beatriz Abner. Ela me
contratou para vigiar essa moça, a Amanda.
- E você vigiava ela muito bem. Não é seu
cafajeste. – Diz Rafaela nervosa e batendo de novo nele.
Marcelo fecha os olhos envergonhado.
- As coisas são bem mais sérias do que você
acha Rafaela. Essa organização que trabalho, não é uma empresa comum. E tive
que fazer coisas que não me orgulho para cumprir minha missão.
- Missão? – Pergunta Rafaela assustada
agora.
Em meio a emoção Rafaela nem percebe que um
carro para do lado deles. É um taxi. E uma mulher muito elegante , abaixa o
vidro, e fala para Rafaela do banco de trás.
- Porque você não entra dentro do carro e
continuamos a conversa na minha casa.
Era Angélica e do seu lado Geraldo, que
olhava assustado para ela.
- O que é isso Angélica? Quem são eles?
- Tudo vai ser explicado Geraldo. – Diz ela
com cara confiante para Geraldo. – Assim que a mocinha entrar no carro, junto
do seu marido e seu filho.
Rafaela fica apreensiva, mas a curiosidade
de onde estava se metendo era maior. Rafaela entra dentro do carro apreensiva.
E quando Marcelo vai entrar no banco do lado do motorista, ele cumprimenta
Angélica de forma especial:
- Senhora Angélica. Obrigado por vir
rápida.
O taxista olha estranhando para os três
novos passageiros. Angélica sorrindo para Mário e fala:
- Como vai Mário?
- Bem dona Angélica.
Ele aperta um botão e as grandes portas do
condomínio se abrem. Geraldo estranha mais uma vez.
- Como que o Mário te conhece? Ele só tem
cinco meses que começou a trabalhar aqui.
- Estou mais presente do que você imagina
Geraldo querido. – Diz ela abrindo sorrindo. – Agora vamos, que temos pouco
tempo.
- Pouco tempo para o que? – Pergunta
Rafaela assustada.
- Para impedir minha sogrinha de fazer algo
horrível. Toca o taxi moço.
O taxi entra no condomínio de luxo.
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