Entrando no condomínio também está um outro carro, mas que Geraldo, Angélica, Rafaela, Marcelo, Thiago e nem o pequeno Rafaelzinho no colo da mãe não podiam ver. Era um fusca antigo, do outro mundo, no qual quem dirigia era Adão. Um homem que tinha morrido a mais de quinze anos atrás. A mulher dele, do lado, Thatyane, morreu bem cedo, quando seu filho mais moço tinha dez anos. Ele agora, com quarenta em cinco anos estava sentado no banco de trás, vendo os pais com caras bem mais moços, o levando para a casa deles, que ficava em um condomínio fechado. Condomínio no qual sua filha mais velha, neta do casal de caras tão novas, trabalhava e morava.
- Não acha coincidência vocês morarem tão perto da netas de vocês, que vocês nem conheceram direito?
- Coincidência de verdade. Porque daquela netinha minha eu quero distancia. Ela era muito estranha. – Diz Adão, que conviveu bastante com as netas.
- Credo Adão. – Reclama a esposa. Isso é jeito de falar da sua neta? – Mas explica para seu filho direito.
Ricardo via passando na rua muita gente com roupas diferentes andando, a cavalo, de carros de diferentes épocas.
- Ricardo, é que a família de sua mãe, tem muito dinheiro aqui nesse mundo. E o pai dela comprou o direito de morar numa dessas mansões.
- O vovô? – Pergunta assustado Ricardo. – Quantas pessoas moram lá?
Thatyane agora fala:
- Querido, aqui a população é enorme. Já que ninguém morre duas vezes. Então temos que viver o máximo de pessoas possíveis nas casas.
- E então vai morar quem com a gente?
- Você vai conhecer todo mundo. – Fala rindo o pai.
Depois de um engarrafamento grande na rua, eles chegam numa mansão grande, aonde um grupo de pessoas estava na frente, com uma faixa enorme atrás pendurada na casa escrito: “Seja bem vindo Ricardo!!!”
Ricardo sai do carro assustado e reconhece todos os parentes, entre eles está sua avó por parte materna, segurando um bolo de chocolate, que o trás lembranças antigas da infância.
Todos correm e o abraçam e alguns beijam seu rosto e acariciam seus cabelos.
- Calma gente. Deixem o Ricardo respirar. – Diz Thatyane com um sorriso, e puxando o filho para dentro da grande casa.
Ricardo estava com os olhos apavorados.
Guiado por Aldo e Thatyane, Ricardo chega frente a um quarto. Seus olhos estão assustados com tanta gentes no corredores. Aldo bate na porta e entra, seguidos por seu filho e por sua esposa. Aldo se assusta vendo mais duas pessoas no quarto. Um era um rapaz com cara triste, sentado na cama, com fones no ouvido.
O outro era um homem de uns quarenta anos sentado num colchão no chão. Ele percebe a presença nos novos visitantes, e sorri quando eles entram, diferente do jovem que nem percebe.
- Que bom que chegaram. Estava ancioso. - Diz o homem se levantando da cama e apertando a mão de Ricardo.
Aldo explica com carinho.
- Ricardo esse é o José Maciel. Ele é seu tio avô. Ele também está a espera da chegada da esposa dele. E vai dividir o quarto com você.
Ricardo aponta para o jovem e pergunta:
-E ele?
Dessa vez é Thatyane que responde.
- Esse é o Pedro. Ele é vivo meu filho. E não vê agente. Pedro pensa que está sozinho no quarto.
Ricardo se aproxima de Pedro e passa a mão na frente do rosto dele. O menino nem pisca mexendo no celular.
- Ele não pode ver de jeito nenhum agente?
- Não. - responde os três ao mesmo tempo e rindo muito.
Ricardo se vira assustado.
- Então quer dizer que quando eu era vivo trocava de roupa e namorava com minha mulher na frente de outras pessoas.
Thatyane corre para responder:
- Nós, mortos, temos um código de ética no nosso mundo Ricardo. Colocamos apenas homens para dividir o quarto com homens. E o quarto de casais não fica ninguém dos mortos. Se nos quartos de solteiros principiar algo que não devemos ver agente se retira.
Aldo termina falando:
- É uma lei. E se alguém denunciar para as autoridades o descumprimento dessa lei, pega até 10 anos de cadeia. No nosso mundo as autoridades são muito duras.
- Temos autoridades até aqui? - Pergunta Ricardo assustado. José é que responde.
- Sim. E você ainda vai se surpreender. Não temos presidentes aqui, nem moramos num país. Temos um rei que governa um reino.
- O que? - Pergunta assustado Ricardo.
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